Na indústria existem muitos sistemas de processo e de transporte de fluidos que operam de modo contínuo, tais como sistemas de água industrial, de água de caldeira, dutos de transporte de óleo e gás e muitos outros. Muitas vezes estes fluidos podem ser corrosivos aos materiais das tubulações, vasos, trocadores de calor e outros equipamentos do processo.

É preciso então adotar formas de acompanhar a corrosão e a integridade destas estruturas mesmo estando pressurizadas e em operação. Existem algumas técnicas a serem adotadas para o Monitoramento da Corrosão Interna, ou seja, para o operador avaliar o impacto da corrosão no sistema enquanto este opera. A técnica mais empregada é avaliação da perda de massa e da taxa de corrosão através de Cupons de Corrosão.

Cupons de Corrosão, ou Cupons de Prova são corpos de prova metálicos inseridos em tubulações e equipamentos e expostos ao meio corrosivo durante um determinado período de tempo. Após este período, eles são removidos e levados a laboratório para análise de perda de massa, de espessura e cálculo de taxa de corrosão.

 

Parece simples, mas para que esta técnica possa mostrar a real condição da taxa de corrosão de um sistema, é preciso estar atento a muitos detalhes importantes, os quais separamos em 4 pontos de atenção:

1 – Conformidade de materiais – os cupons de corrosão devem ser fabricados a partir de materiais similares àqueles empregados nos sistemas onde vão ser instalados, afinal a corrosão dos cupons deve ser uma réplica da corrosão dos componentes do sistema. Para isso, é imprescindível que a matéria prima dos cupons seja rastreável e possua os certificados de qualidade, composição química e propriedades mecânicas da usina onde foi produzida. Outro requisito importante é que o tipo de material de onde são fabricados os cupons, por exemplo chapas, tarugos ou tubos, seja especificado estritamente de acordo com o tipo de instalação a ser monitorada. Normalmente empregam-se chapas, que por seu processo produtivo apresentam menos alterações microestruturais em geral.

2 – Conformidade de fabricação – a fabricação dos cupons de corrosão precisa seguir sempre os requisitos de qualidade, com menores variações possíveis, afinal a avaliação das taxas de corrosão deve ser contínua durante a operação de um sistema e cada cupom instalado será comparado com o histórico de seus predecessores. Processos de corte, estamparia, limpeza, armazenamento e principalmente tratamento superficial influenciam muito na qualidade do cupom de corrosão e na taxa final encontrada. Para isso existem normas bastante difundidas às quais a fabricação dos cupons deve ser submetida, a exemplo da norma ASTM G1 2011 ou NACE RP0775 2005.

3 – Procedimentos de campo e de laboratório – o manuseio correto durante a instalação e remoção dos cupons em campo também é um ponto de atenção. Por exemplo, os cupons só devem ser retirados de sua embalagem VCI, a embalagem dotada de inibidores voláteis de corrosão, imediatamente antes da instalação, evitando processos de oxidação que não tem a ver com o sistema a ser monitorado. O mesmo ocorre para os procedimentos laboratoriais. A metodologia de avaliação, limpeza mecânica, limpeza química e remoção dos óxidos descritas em normas como a ASTM G1 2011 ou NACE RP0775 2005 deve ser seguida à risca para que a taxa de corrosão medida seja correta. É muito importante também utilizar métodos e equipamentos certificados e calibrados para medida de massa dos cupons antes e depois da sua exposição.

4 – Monitorando a corrosão corretamente – para fazer um monitoramento efetivo da corrosão e da integridade interna dos equipamentos de processo, é preciso seguir algumas orientações importantes. O principal é adotar uma metodologia sistemática, que priorize o acompanhamento com períodos bem definidos entre as medidas e que utilize cupons ou outros materiais de qualidade e rastreáveis. É muito importante também manter o registro histórico correto e sistemático das taxas de corrosão de cada ponto de monitoramento, usando cupons dotados de número de série. Estes dados podem ser usados para diagnosticar os processos corrosivos caso as taxas estejam altas e comprometam a integridade dos sistemas. Para diagnósticos precisos, os especialistas precisam poder comparar as taxas com outras informações operacionais, como composição do meio, contaminantes, temperaturas entre outros.

Otávio Carneiro Corrêa

 

Especialista em Corrosão – Vidya Tecnologia